A solidão me acompanha
Olho as fotos dos sorrisos congelados no tempo
mas meus olhos não as refletem.
Com quantos livros tentei preencher meu vazio?
Quantas história queria similares às minhas?
A solidão me consome,
invade a tua paz.
A solidão é calo íntimo, antigo
sinal de que meus pés se adaptaram às asperezas da vida.
Vou sozinha.
Nunca deixei de ser só.
tenho companhia solidária
Nenhuma outra alma dialoga comigo.
Sou areia do deserto
enchendo a ampulheta,
espalhando e criando ilusões de oásis.
Não tenho pertencimento.
Não sou de ninguém.
Não há chuva nem lua no meu sertão!!!
Sou desesperança!!
Com verso, converso com meus poetas prediletos; no uni-verso da dor, re-invento o in-verso
9 de jun. de 2012
26 de jan. de 2012
dias gasosos
Há dias sem densidade
sou feita de poesia
dispenso parágrafos.
Só bebo água com gás
e me alimento de algodão-doce.
Há dias sem consistência
Em que a fluidez da água
molda minha alma.
Só me visto de Lua
e me enfeito de nuvens.
Há dias evanescentes
em que o tempo evapora
meu pensamento borbulha
nesses dias, sou mensageira do vento.
sou feita de poesia
dispenso parágrafos.
Só bebo água com gás
e me alimento de algodão-doce.
Há dias sem consistência
Em que a fluidez da água
molda minha alma.
Só me visto de Lua
e me enfeito de nuvens.
Há dias evanescentes
em que o tempo evapora
meu pensamento borbulha
nesses dias, sou mensageira do vento.
23 de jan. de 2012
Dor
monossílaba: solitária
oxítona: tônica
perfurante palavra ácida
ferida sem cicatriz
Só há o tempo da dor
era do gelo
dias polares
cancerígena palavra
metástase na alma
morte sem descanso
Fragmentaste minh'alma
como faca amolada
Roubaste minha fé
Não vejo mais estrada
nem rastros dos meus pés
A dor me doma
À dor se somam outras dores
É buraco negro consumindo minha luz
A dor me constitui de nada!
oxítona: tônica
perfurante palavra ácida
ferida sem cicatriz
Só há o tempo da dor
era do gelo
dias polares
cancerígena palavra
metástase na alma
morte sem descanso
Fragmentaste minh'alma
como faca amolada
Roubaste minha fé
Não vejo mais estrada
nem rastros dos meus pés
A dor me doma
À dor se somam outras dores
É buraco negro consumindo minha luz
A dor me constitui de nada!
11 de jan. de 2012
Ciclos
É hora de se fechar um ciclo.
Vida redonda,
carreguei, enluarada, em meu ventre,
os filhos.
Agora, menino-homem passará
por um dos rituais e eu me vejo
lá 1987 quando não supunha esses desfechos.
Já chorei com formatura de alfabetização
e a cartilha de mãe mal sei soletrar
queria continuar nessa tessitura
mal percebi que você já não é meu menino
por isso vou comemorar.
Quero marcar esse dia com festas e fotos
amigos, beijos e lágrimas.
Porque a vida mingua e enche
crescente é o teu desejo de novo
E lá vamos nós para uma nova era
só peço que segura a minha mão
ainda preciso de ti para sentir-me MÃE!
Vida redonda,
carreguei, enluarada, em meu ventre,
os filhos.
Agora, menino-homem passará
por um dos rituais e eu me vejo
lá 1987 quando não supunha esses desfechos.
Já chorei com formatura de alfabetização
e a cartilha de mãe mal sei soletrar
queria continuar nessa tessitura
mal percebi que você já não é meu menino
por isso vou comemorar.
Quero marcar esse dia com festas e fotos
amigos, beijos e lágrimas.
Porque a vida mingua e enche
crescente é o teu desejo de novo
E lá vamos nós para uma nova era
só peço que segura a minha mão
ainda preciso de ti para sentir-me MÃE!
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