A lua no céu, minguante,
a nua na cama, crescente,
A rua... é de toda a gente:
dos que voltam da farra,
dos que vão pro trabalho....
a lua é D,
o desejo é G,
a rua é dos ausentes!
A nudez da lua veste a minha pele
Minha cobertura
reflete na lua
Sou quase Nova como a lua
Sou lua Nova
Mingua a vida,
crescem os desejos...
Desnudam-se
Ciclicamente, lua-nua,
eu, nua de lua...
Com verso, converso com meus poetas prediletos; no uni-verso da dor, re-invento o in-verso
18 de dez. de 2011
26 de nov. de 2011
Poetizando
Chico me buarque,
As ondas do meu mar são Meireles
Drummond:
Eis toda a minha sintaxe interna.
As ondas do meu mar são Meireles
Drummond:
Eis toda a minha sintaxe interna.
19 de nov. de 2011
Viver é um escândalo
Nasci aos tropeços...
E trôpega sigo minha sina.
Desde o primeiro choro engoli os troços.
E sôfrega sou minha carnificina.
E trôpega sigo minha sina.
Desde o primeiro choro engoli os troços.
E sôfrega sou minha carnificina.
9 de out. de 2011
Limiares
Até onde posso ir?
Pelo desejo até a cama.
Me levas para casa,
Teus pés fazem bem a teu coração
e ao meu também
Os aeropostais ganham as marcas do espaço/tempo
das viagens.
Trilhando por esses caminhos
meu coração - escaninho do tempo -
te guarda, dobradinho, dobradinho
Pelo desejo até a cama.
Me levas para casa,
Teus pés fazem bem a teu coração
e ao meu também
Os aeropostais ganham as marcas do espaço/tempo
das viagens.
Trilhando por esses caminhos
meu coração - escaninho do tempo -
te guarda, dobradinho, dobradinho
Ventos do Tempo
Numa quinta,estava no quarto.
Não conheço a geografia do teu corpo
Uma quarta parte de um quarto de dia
é o tempo que te tenho?
Na casa do homem do "Tempo e o Vento"
escuto a melodia: "Oh, vento traz o meu amor..."
Se eu cantasse...
Vivo dias de Narciso e Eco
ou de Ana Terra?
"O passado não sabe o seu lugar"
diz o poeta
E eu continuo a escutar o lamento, no eco,
"Oh, vento traz o meu amor..."
Não conheço a geografia do teu corpo
Uma quarta parte de um quarto de dia
é o tempo que te tenho?
Na casa do homem do "Tempo e o Vento"
escuto a melodia: "Oh, vento traz o meu amor..."
Se eu cantasse...
Vivo dias de Narciso e Eco
ou de Ana Terra?
"O passado não sabe o seu lugar"
diz o poeta
E eu continuo a escutar o lamento, no eco,
"Oh, vento traz o meu amor..."
3 de out. de 2011
A Morte
Eu vejo que a morte me espia
com os olhos-faróis dos carros.
As Moiras tramam o meu destino
na circulação interrompida.
A morte se aproxima, lentamente,
perco neurônios,
raream os cabelos
perco a elasticidade da pele.
Enquanto morro - essa é nossa sina,
eu corro para os teus braços.
Quero ser tua menina,
ganhar Danette, comer chocolate
lambuzar-me de prazer...
Antes que a morte me arroupe
com sua mortuária mortalha,
quero que você me enrole numa toalha
depois de um banho quentinho
porque se é pra morrer,
que eu me enfarte de carinho.
com os olhos-faróis dos carros.
As Moiras tramam o meu destino
na circulação interrompida.
A morte se aproxima, lentamente,
perco neurônios,
raream os cabelos
perco a elasticidade da pele.
Enquanto morro - essa é nossa sina,
eu corro para os teus braços.
Quero ser tua menina,
ganhar Danette, comer chocolate
lambuzar-me de prazer...
Antes que a morte me arroupe
com sua mortuária mortalha,
quero que você me enrole numa toalha
depois de um banho quentinho
porque se é pra morrer,
que eu me enfarte de carinho.
2 de out. de 2011
Faz-de-conta
Eu te proponho um faz-de-conta
Uma história verossímel.
Não há de faltar peripécias,
um enredo para te enredar,
um quarto como ambiente
no qual tu possas me desfrutar.
Eu te proponho ser personagem principal.
Narrada em primeira pessoa,
a história terá o desfecho que eu quiser
pode ser um conto aberto...
Serei Xerazade
Te darei mil e uma noite para me amar
Eu te proponho fuga da realidade
sair do prosaico,
salvar-se pelo poético
Vamos - juntos - para meu reino paralelo
Enquanto lá estivermos haverá encantamento
O tempo se multiplicará, vamos viver as fantasias
Eu te convido para irmos ao País das Maravilhas
Há um portal nos meus braços, amor, que te conduzirá
ao descompromisso.
Coloca a máscara, coloco vendas,
me deixo desvendar por ti,
No meu corpo há fendas para explorar
Não há contas no meu conto
Só quero um amor evanescente
Uma magia circunscrita ao momento
CARPE DIEM!!
Uma história verossímel.
Não há de faltar peripécias,
um enredo para te enredar,
um quarto como ambiente
no qual tu possas me desfrutar.
Eu te proponho ser personagem principal.
Narrada em primeira pessoa,
a história terá o desfecho que eu quiser
pode ser um conto aberto...
Serei Xerazade
Te darei mil e uma noite para me amar
Eu te proponho fuga da realidade
sair do prosaico,
salvar-se pelo poético
Vamos - juntos - para meu reino paralelo
Enquanto lá estivermos haverá encantamento
O tempo se multiplicará, vamos viver as fantasias
Eu te convido para irmos ao País das Maravilhas
Há um portal nos meus braços, amor, que te conduzirá
ao descompromisso.
Coloca a máscara, coloco vendas,
me deixo desvendar por ti,
No meu corpo há fendas para explorar
Não há contas no meu conto
Só quero um amor evanescente
Uma magia circunscrita ao momento
CARPE DIEM!!
Desencontro
O díspare precisa de par.
O singular, do plural.
Só há desencontro na arte de encontrar.
O teu não ecoa no meu sim.
O teu sim tem um quê de talvez
Orações subordinadas adverbiais
condicionais e concessivas vão
estabelecendo nossos diálogos.
Assim são dadas as circunstâncias
para o prefixo mudar todo o significado
Nos constituímos de futuros-do-pretárito.
O singular, do plural.
Só há desencontro na arte de encontrar.
O teu não ecoa no meu sim.
O teu sim tem um quê de talvez
Orações subordinadas adverbiais
condicionais e concessivas vão
estabelecendo nossos diálogos.
Assim são dadas as circunstâncias
para o prefixo mudar todo o significado
Nos constituímos de futuros-do-pretárito.
28 de set. de 2011
Estreia
Na unha estreia, esmalte-desejo,
um convite-sedução.
Sou tua flor;
Você, meu mel!
Provocante, faço-me feminina:
Quero,depudoradamente,
te seduzir.
Te quero incivilizado, desvairado, perdendo as estribeiras, galopando .
Lasciva, estreio contigo mulher-cio.
Outros homens sentem o cheiro de fêmea, me olham, me cantam...
Sou tua flor, Mel meu...
um convite-sedução.
Sou tua flor;
Você, meu mel!
Provocante, faço-me feminina:
Quero,depudoradamente,
te seduzir.
Te quero incivilizado, desvairado, perdendo as estribeiras, galopando .
Lasciva, estreio contigo mulher-cio.
Outros homens sentem o cheiro de fêmea, me olham, me cantam...
Sou tua flor, Mel meu...
23 de set. de 2011
21 de set. de 2011
Banho
Lavar a alma
Tirar a lama
Desfazer-se da mala.
Massagem: viagem
Danette: na Josete
chocolate: para arte
Banhada de creme
De água caliente
assim é feita a
paixão da gente
Tirar a lama
Desfazer-se da mala.
Massagem: viagem
Danette: na Josete
chocolate: para arte
Banhada de creme
De água caliente
assim é feita a
paixão da gente
17 de set. de 2011
O mundo inteiro só me fala de ti
Os livros que leio resenham tua vida
Te vejo, tão lindo, na flor colorida.
Você está ali, acolá e aqui.
Você mora em mim.
Se escuto sabiá, é tua voz a cantar.
Você está em tudo, em cada lugar.
De agora ou ágora,
a minha metáfora.
Se adoeço, minha medicina.
Teu ser comigo combina.
Se tua paixão é tomar café
a minha é o que você quiser.
O mundo inteiro só fala de ti
Você está na flor, está no café,
você está em mim
Sou tua amante mulher
Te vejo, tão lindo, na flor colorida.
Você está ali, acolá e aqui.
Você mora em mim.
Se escuto sabiá, é tua voz a cantar.
Você está em tudo, em cada lugar.
De agora ou ágora,
a minha metáfora.
Se adoeço, minha medicina.
Teu ser comigo combina.
Se tua paixão é tomar café
a minha é o que você quiser.
O mundo inteiro só fala de ti
Você está na flor, está no café,
você está em mim
Sou tua amante mulher
12 de set. de 2011
Amora
É tempo de amora, amor!
da geleia à fruta, tem o gosto teu beijo.
Quero tal sabor no meu paladar.
te saboreio, devagar,
Para aplacar meu desejo.
a amora da tua boca,
agora em mim mora.
Quando me beijas, fico amorosa!
da geleia à fruta, tem o gosto teu beijo.
Quero tal sabor no meu paladar.
te saboreio, devagar,
Para aplacar meu desejo.
a amora da tua boca,
agora em mim mora.
Quando me beijas, fico amorosa!
11 de set. de 2011
Flor roxa
Uma flor enfeita minha mesa
Uma flor enfeita tua lapela
Roxas flores
Amor roxo
amizade colorida
anúncios de primavera!
Uma flor enfeita tua lapela
Roxas flores
Amor roxo
amizade colorida
anúncios de primavera!
10 de set. de 2011
Para Adriana
Saudade,
vernáculo português,
o nosso mais original cognato.
Saudade é consequência de gostar
de quem está ausente.
É presentificação da falta,
A sinalização da lacuna.
É signo de incompletude,
É semiologia do vazio.
Sentir saudades é um esforço
de trazer do Hades, na barca de Caronte,
aquele que já partiu.
Não pude oferecer uma moeda de ouro
para que tu fosses em paz.
Não te quero vagando 100 anos pela beira do cais
mesmo que seja tempo de Bienal.
Quero costurar, aqui, um texto de despedida
Com todas as palavras bonitas que eu quis te dizer:
inteligente, original...
Mas a boca sepulcrou-se.
Só me resta, agora a saudade!
7 de set. de 2011
sappore
Penso em ti
faço bolo de chocolate,
coloco pimenta no Chilli,
e canela no café.
evoca-me especiarias...
a minha caravela vai por mares
nunca antes navegados
para a antropofagia
tempera-me
coloca sal
acenda o fogo
estou pronta para ser devorada
num canibalismo amoroso
faço bolo de chocolate,
coloco pimenta no Chilli,
e canela no café.
evoca-me especiarias...
a minha caravela vai por mares
nunca antes navegados
para a antropofagia
tempera-me
coloca sal
acenda o fogo
estou pronta para ser devorada
num canibalismo amoroso
5 de set. de 2011
cheiros
O cheiro de canela
o odor de homem
o aroma do café
o ar de paixão
a fragância do chocolate
o olor da arte
São o perfume do amor
o odor de homem
o aroma do café
o ar de paixão
a fragância do chocolate
o olor da arte
São o perfume do amor
Cantiga de amor de uma provinciana
Ai, amigo, adoeço de amor!
Dá-me xaropes,
Não me abandone à sorte,
Ai, amigo, quão grande é a dor!
As pernas sem tônus,
No coração há um sopro.
A dor do meu corpo,
paga, da alma,o ônus.
Já estou delirante
Preciso de médico
você é meu remédio
Sê, pois, meu amante.
Dá-me xaropes,
Não me abandone à sorte,
Ai, amigo, quão grande é a dor!
As pernas sem tônus,
No coração há um sopro.
A dor do meu corpo,
paga, da alma,o ônus.
Já estou delirante
Preciso de médico
você é meu remédio
Sê, pois, meu amante.
Encontros
Vens a meu encontro,
e, por ora, te tenho
- eterna é a linguagem dos amantes -
No ínfimo espaço de um café
o tempo perdura.
Não faz muito você sequer era para mim existência
Agora é o sabor que me alimenta.
Se tu cortas cebolas,
meus olhos choram a saudade do tempo em cesura
Falamos banalidades
relatos das ausências,
encontros pela linguagem
Te narro em uma linda história de ARMANDO!
e, por ora, te tenho
- eterna é a linguagem dos amantes -
No ínfimo espaço de um café
o tempo perdura.
Não faz muito você sequer era para mim existência
Agora é o sabor que me alimenta.
Se tu cortas cebolas,
meus olhos choram a saudade do tempo em cesura
Falamos banalidades
relatos das ausências,
encontros pela linguagem
Te narro em uma linda história de ARMANDO!
4 de set. de 2011
chegada
A paixão chegou a galope
chegou passo a passo
chegou gole a gole
e já me engoliu
O amor chegou via e-mail
chegou por scrap
chegou por torpedo
e ja me entorpeceu.
Você chegou com artes,
chegou com convites
chegou brincando.
E já ficou!
chegou passo a passo
chegou gole a gole
e já me engoliu
O amor chegou via e-mail
chegou por scrap
chegou por torpedo
e ja me entorpeceu.
Você chegou com artes,
chegou com convites
chegou brincando.
E já ficou!
29 de ago. de 2011
28 de ago. de 2011
Tomar café
Da boca sorves um beijo
com um beijo sorves o café
Prazer aos goles
Sinto-me tomada por ti
com um beijo sorves o café
Prazer aos goles
Sinto-me tomada por ti
3 de ago. de 2011
coser/cozer
Cozendo a fogo baixo,
Coses meu coração.
Com mãos de cirurgião,
Cosendo com as linhas invisíveis das palavras,
Cozes um banquete de emoções!
Coses meu coração.
Com mãos de cirurgião,
Cosendo com as linhas invisíveis das palavras,
Cozes um banquete de emoções!
31 de jul. de 2011
FRIO
É inverno, eu sei!
Os termômetros marcam invariavelmente abaixo de 10 graus.
Estamos no hemisfério austral, é julho.
Tudo indica dias frios, dias para hibernar.
Fruto temporão, a primavera, presente nas flores
esquece que ainda falta agosto.
Desejos de setembro iluminam meus olhos
Pássaros cantam pelas bandas do Jardim Botânico!
Os termômetros marcam invariavelmente abaixo de 10 graus.
Estamos no hemisfério austral, é julho.
Tudo indica dias frios, dias para hibernar.
Fruto temporão, a primavera, presente nas flores
esquece que ainda falta agosto.
Desejos de setembro iluminam meus olhos
Pássaros cantam pelas bandas do Jardim Botânico!
terapia do amor
Pensos virtuais
De Quíron são seus unguentos
tuas flores e beijos
vão estancando meus sangramentos.
Homeopaticamente,
dose diária de carinho,
minha princesa, minha pérola, minha flor...
Me curas, que adoeço de amor!!!!!!
De Quíron são seus unguentos
tuas flores e beijos
vão estancando meus sangramentos.
Homeopaticamente,
dose diária de carinho,
minha princesa, minha pérola, minha flor...
Me curas, que adoeço de amor!!!!!!
amor dominical
Nós duas - fiat lux -
é divino, celestial.
agarradinhas, pura energia.
Nós, em nosso paraíso, enquanto Deus descansa.
Trocamos confidências, rimos à toa.
Lemos horóscopos, poesias; miramos fotografias
Nem a promessa de uma segunda nos separará.
mãe e filha - amor natural.
é divino, celestial.
agarradinhas, pura energia.
Nós, em nosso paraíso, enquanto Deus descansa.
Trocamos confidências, rimos à toa.
Lemos horóscopos, poesias; miramos fotografias
Nem a promessa de uma segunda nos separará.
mãe e filha - amor natural.
29 de jul. de 2011
Desejante
Eu quero tanto esse homem para mim!
Ele cabe nas medidas dos meus versos longos:
é a métrica para a ausência da rima.
Eu quero tanto esse homem para mim!
Ele tem um pomo-de adão que me salienta.
Um V na camisa onde minhas mãos querem acampar .
Eu quero tanto esse homem pra mim!
Seus dedos de unhas curtas e limpas
Foram feitos para tocar a minha flor!
Eu quero tanto esse homem pra mim!
Por um dia que seja! Fumegante como café bom.
Quero-o passeando pelo meu jardim!
Ele cabe nas medidas dos meus versos longos:
é a métrica para a ausência da rima.
Eu quero tanto esse homem para mim!
Ele tem um pomo-de adão que me salienta.
Um V na camisa onde minhas mãos querem acampar .
Eu quero tanto esse homem pra mim!
Seus dedos de unhas curtas e limpas
Foram feitos para tocar a minha flor!
Eu quero tanto esse homem pra mim!
Por um dia que seja! Fumegante como café bom.
Quero-o passeando pelo meu jardim!
Ressignificação
Te mandei de volta a foto com uma declaração:
É forma sem conteúdo
Significante sem significado
Nem amante, nem amado.
Aos pouco volta pra ti,
A tua parte nesse latifúndio.
Não há perfeita divisão.
Mesmo indo, ainda ficas
Nas memórias, no porão.
Há tantas sobras tuas aqui!
Parece que resistes a ir.
Te digo: deves partir
Já não ocupas meu coração!!!
É forma sem conteúdo
Significante sem significado
Nem amante, nem amado.
Aos pouco volta pra ti,
A tua parte nesse latifúndio.
Não há perfeita divisão.
Mesmo indo, ainda ficas
Nas memórias, no porão.
Há tantas sobras tuas aqui!
Parece que resistes a ir.
Te digo: deves partir
Já não ocupas meu coração!!!
25 de jul. de 2011
O homem das Receitas
Para fazer tomates verdes fritos,
Para curar aterosclerose,
Para aplicar na bolsa,
Para ir ao cinema,
Para visitar exposições de arte,
Para tomar um bom café,
Para ver as praças e jardins,
Para me fazer feliz.
Para curar aterosclerose,
Para aplicar na bolsa,
Para ir ao cinema,
Para visitar exposições de arte,
Para tomar um bom café,
Para ver as praças e jardins,
Para me fazer feliz.
21 de jul. de 2011
Muda
Te vejo, estranho, em minha sala.
Parece que jamais aqui estiveste.
Se algum achei que te lia,
hoje teu olhar é mudo.
Não te percebo mais,
tua história já não faz parte da minha
Me irrita tua desfaçatez.
Teu dizer tem um quê de arrogância.
Prefiro estar muda.
Parece que jamais aqui estiveste.
Se algum achei que te lia,
hoje teu olhar é mudo.
Não te percebo mais,
tua história já não faz parte da minha
Me irrita tua desfaçatez.
Teu dizer tem um quê de arrogância.
Prefiro estar muda.
7 de jul. de 2011
Armadilha
Armando, Armando!
Armando armando
Armando desarmando-me
Armando armadilha
Já não me sinto ilha:
Estou Amando, Amour!
Armando armando
Armando desarmando-me
Armando armadilha
Já não me sinto ilha:
Estou Amando, Amour!
19 de jun. de 2011
Os muitos nomes para a palavra saudade
Saramago,
Scliar,
São alguns "quês" de saudade.
São tantos os nomes para saudade:
dos que foram,
dos que deixei quando parti,
dos que passaram na minha vida,
saudade maternal,
saudade fraternal,
saudade dos estudantes,
saudades dos professores,
São muitos os nomes.
Tenho saudades não do que já vivi.
Para isso, tenho recordações.
Tenho saudades dos livros que não lerei,
das músicas que certamente ouviria
Dos abraços e sorrisos ausentes.
As palavras jamais pronunciadas
Dos lugares que jamais visitaremos juntos.
Do tempo que só nos afasta
Te extraño, não é novidade
Teu nome, sei que tu sabes,
é sinônimo de saudade!
Scliar,
São alguns "quês" de saudade.
São tantos os nomes para saudade:
dos que foram,
dos que deixei quando parti,
dos que passaram na minha vida,
saudade maternal,
saudade fraternal,
saudade dos estudantes,
saudades dos professores,
São muitos os nomes.
Tenho saudades não do que já vivi.
Para isso, tenho recordações.
Tenho saudades dos livros que não lerei,
das músicas que certamente ouviria
Dos abraços e sorrisos ausentes.
As palavras jamais pronunciadas
Dos lugares que jamais visitaremos juntos.
Do tempo que só nos afasta
Te extraño, não é novidade
Teu nome, sei que tu sabes,
é sinônimo de saudade!
17 de jun. de 2011
Frágil
Li dia desses:
Frágil é o silêncio
uma palavra pode destruí-lo.
Mais frágil é o amor
tanto o silêncio quanto uma palavra
pode criá-lo ou destruí-lo
Frágil é o silêncio
uma palavra pode destruí-lo.
Mais frágil é o amor
tanto o silêncio quanto uma palavra
pode criá-lo ou destruí-lo
Fiado
Conversa fiada
Fio a fio
desfio o nó
ao vê-lo
já enovelado
nas tantas novelas
a linha que costura o coração rasgado
estava no blusão de lã.
Vou juntando uns engramas do passado
para tramar meu amanhã!
Fio a fio
desfio o nó
ao vê-lo
já enovelado
nas tantas novelas
a linha que costura o coração rasgado
estava no blusão de lã.
Vou juntando uns engramas do passado
para tramar meu amanhã!
29 de mai. de 2011
Não faço verso: converso
minha tua nossas palavras:
interpelamo-nos!
Indexada em teu dizer
o meu dito é responsivo
a dor que aqui vês
é o preço de estar comigo!
Não faço verso.
Poeta lambe palavras
Eu as como: são hóstias,
palavra é pão.
A fome que aqui vês
é para mitigar o teu não!
Não faço verso,
nem converso
já nem me estabeleço
não há um "mas"
para um reverso.
Não faço verso!
atravesso
pelas palavras
os meus dias às avessas.
minha tua nossas palavras:
interpelamo-nos!
Indexada em teu dizer
o meu dito é responsivo
a dor que aqui vês
é o preço de estar comigo!
Não faço verso.
Poeta lambe palavras
Eu as como: são hóstias,
palavra é pão.
A fome que aqui vês
é para mitigar o teu não!
Não faço verso,
nem converso
já nem me estabeleço
não há um "mas"
para um reverso.
Não faço verso!
atravesso
pelas palavras
os meus dias às avessas.
Locuções
De canto em canto
Encantados
De braço a braço
Abraçados
De casa em casa
casados
De fado em fado
Enfadados
De bala em bala
Abalofada
De ida em ida
Traída
De vão em vão
separação
Encantados
De braço a braço
Abraçados
De casa em casa
casados
De fado em fado
Enfadados
De bala em bala
Abalofada
De ida em ida
Traída
De vão em vão
separação
MAIO
Maio desmaia,
e eu aqui Nem sequer anoiteci.
..."Khrónos"...
engolida por esse Deus todos os dias,
pego carona no carro do deus-sol.
Resisto ao tempo.
É em vão - eu sei!
As horas se desmancham aos meus pés,
É preciso correr para não cair no abismo.
Sentir dos abutres as bicadas no fígado.
Quanto mais fujo, permaneço.
Queria o consolo do passar do tempo sem sentir.
Eu quero dormir.
Eu quero o desmaio!
e eu aqui Nem sequer anoiteci.
..."Khrónos"...
engolida por esse Deus todos os dias,
pego carona no carro do deus-sol.
Resisto ao tempo.
É em vão - eu sei!
As horas se desmancham aos meus pés,
É preciso correr para não cair no abismo.
Sentir dos abutres as bicadas no fígado.
Quanto mais fujo, permaneço.
Queria o consolo do passar do tempo sem sentir.
Eu quero dormir.
Eu quero o desmaio!
4 de mai. de 2011
BRENDA
De que lado?
O lado de lá.
Multifacetado...
para completar
O que foi ocultado?
O ser bipolar!!!
O lado de lá.
Multifacetado...
para completar
O que foi ocultado?
O ser bipolar!!!
27 de abr. de 2011
25 de abr. de 2011
Errante
errar é humano
sair sem destino, sem estrada, está na alma.
Nesses passos sem pegada,
errar também faz caminho.
sair sem destino, sem estrada, está na alma.
Nesses passos sem pegada,
errar também faz caminho.
24 de abr. de 2011
Mamed
Primeira palavra:
Pai!
Qualquer dor, qualquer ai!
Pai
50% da memória
50% de histórias
100% de pertencimento
100% de acolhimento
Tua essência está em mim.
Tua ausência está em mim.
Tua presença está em mim.
Não há morte que possa te separar, tu és para mim inteiro.
Se a biologia não nos liga
O amor que sentimos é mais do que nó de marinheiro.
Pai!
Qualquer dor, qualquer ai!
Pai
50% da memória
50% de histórias
100% de pertencimento
100% de acolhimento
Tua essência está em mim.
Tua ausência está em mim.
Tua presença está em mim.
Não há morte que possa te separar, tu és para mim inteiro.
Se a biologia não nos liga
O amor que sentimos é mais do que nó de marinheiro.
22 de abr. de 2011
Celestial Maria
De todas as Marias és tu a minha
minha mãe adotiva, minha mainha
Para que Farol de Abrolhos? Já tenho teus olhos.
Para que Caravelas, formoso rincão?
O meu território é o teu coração
Em ti está o céu, nas histórias de infância
Em ti está o céu, no nome Celeste
Em ti está o céu, embalando minhas lembranças
em ti está o céu, pelo amor que tu me deste
minha mãe adotiva, minha mainha
Para que Farol de Abrolhos? Já tenho teus olhos.
Para que Caravelas, formoso rincão?
O meu território é o teu coração
Em ti está o céu, nas histórias de infância
Em ti está o céu, no nome Celeste
Em ti está o céu, embalando minhas lembranças
em ti está o céu, pelo amor que tu me deste
20 de abr. de 2011
Guiomar
De que era feito o mar de Guiomar?
Das lágrimas pelo marido,
pelo filho perdido?
Na cacimba,
coloca a vida nos trilhos
Lava roupa, seca as lágrimas
enche os baldes, enche a barriga dos filhos
És para mim mais que uma avó querida
És única: um exemplo de vida
Guiomar para eu amar
Para me guiar, GUIOMAR.
Das lágrimas pelo marido,
pelo filho perdido?
Na cacimba,
coloca a vida nos trilhos
Lava roupa, seca as lágrimas
enche os baldes, enche a barriga dos filhos
És para mim mais que uma avó querida
És única: um exemplo de vida
Guiomar para eu amar
Para me guiar, GUIOMAR.
16 de abr. de 2011
Mensagem subliminar
O que eu quero FAlar
em BIlhetes não dá...
Que outro meio?
ANdei pensando em e-mail.
em BIlhetes não dá...
Que outro meio?
ANdei pensando em e-mail.
Rosângela
Rosângela
Fazer versos para ti
É falar de segredos – nem sempre ditos-
Adivinhados nas entrelinhas (nas estrelinhas ou no luarzão).
É lembrar literaturas literalmente sem letras
Escritas para uma Regina na luta pelo rei.
Ou seria ele um mercador dos sonhos da juventude?
Fazer versos para rosa ou para o anjo?
Fazer verso para a Pessoa.
A rosa é para Drummond.
O anjo é para Gregório.
Domenica é para mim...
Por todos os dias. Amém!!!!
Fazer versos para ti
É falar de segredos – nem sempre ditos-
Adivinhados nas entrelinhas (nas estrelinhas ou no luarzão).
É lembrar literaturas literalmente sem letras
Escritas para uma Regina na luta pelo rei.
Ou seria ele um mercador dos sonhos da juventude?
Fazer versos para rosa ou para o anjo?
Fazer verso para a Pessoa.
A rosa é para Drummond.
O anjo é para Gregório.
Domenica é para mim...
Por todos os dias. Amém!!!!
15 de abr. de 2011
Fenômeno linguístico?
É possível uma nasal, sonora, bilabial transformar-se em
Em Oral, oclusiva, sonora e linguodental?
Pois só assim posso explicar a dor!
Em Oral, oclusiva, sonora e linguodental?
Pois só assim posso explicar a dor!
10 de abr. de 2011
GIORDANO
Meus cachinhos de anjo,
rosto de adolescente,
No olhar: um teimoso;
No agir: indolente.
Um mosaico de sensações:
alegria,ansiedade,amor,chateação...
Com asas de cera voar é teu querer,
Com coração de mãe o meu é te proteger.
Te amo e o amor não pode tudo.
Ele só pode ser em si o que é:
Querer o bem do nosso bem,
estar com ele pro que der e vier.
rosto de adolescente,
No olhar: um teimoso;
No agir: indolente.
Um mosaico de sensações:
alegria,ansiedade,amor,chateação...
Com asas de cera voar é teu querer,
Com coração de mãe o meu é te proteger.
Te amo e o amor não pode tudo.
Ele só pode ser em si o que é:
Querer o bem do nosso bem,
estar com ele pro que der e vier.
9 de abr. de 2011
VERSOS ÍNTIMOS
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
(Augusto dos Anjos
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
(Augusto dos Anjos
7 de abr. de 2011
4 de abr. de 2011
Abril
Me abri...
Apenas uma fresta!
As cores de outono me espiam.
Também expio.
Por uma frincha a vida vai se abrindo.
3 de abr. de 2011
Valentina
Duas bolitas (seus olhos) negritas
Duas mãos: que buliçosas
Um sorriso à Monalisa
Um sorriso à Monalisa
Um corpo de moça em uma criança
Me exaspera, me acaricia.
Faz de mim mãe ou carrasca.
Se brigo, vem me abraça.
Se dengo, faz pirraça.
Não são duas, não há número,
Tampouco há questão:
Valentina – Minha filha –
É minha alegria!
Minha satisfação!
2 de abr. de 2011
Vingança
Foram tantas trapaças,
Que, só de pirraça,
Queria de herança
Fazer a vingança.
Contar os seus fracos,
De ti falar mal
Armar o barraco
Descer-lhe o pau.
Mas nessa história,
De vítima ias ficar
A minha vingança
é não me vingar
29 de mar. de 2011
MARUJA
Hoje você ocupou meu vazio:
Do estômago sem nhoque.
Da garganta sem voz.
Do pensamento sem razão.
Do coração sem destino.
Tua ausência despertou a memória gustativa
Uma evocação de "zapallitos rellenos" deu sabor à minha vida.
Tua militância foi a voz da resistência.
A tua razão estava em números
místicos pra acertar a "Quiñela".
O teu destino habita meu coração.
Do estômago sem nhoque.
Da garganta sem voz.
Do pensamento sem razão.
Do coração sem destino.
Tua ausência despertou a memória gustativa
Uma evocação de "zapallitos rellenos" deu sabor à minha vida.
Tua militância foi a voz da resistência.
A tua razão estava em números
místicos pra acertar a "Quiñela".
O teu destino habita meu coração.
28 de mar. de 2011
Catar feijão
1.
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
(A Educação Pela Pedra)
2.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.
João Cabral de Melo Neto
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
(A Educação Pela Pedra)
2.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.
João Cabral de Melo Neto
Da vez primeira
Da vez primeira que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
o mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah!desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Asas da Noite! Asas do Horror!Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!
Mario Quintana
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
o mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah!desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Asas da Noite! Asas do Horror!Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!
Mario Quintana
A Bruxa
Nesta cidade do Rio
De dois milhões de habitantes
Estou sozinho no quarto
Estou sozinho na América.
Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
Anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
Mas é vida. E sinto a Bruxa
Presa na zona de luz.
De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
Desses calados, distantes,
Que lêem verso de Horácio
Mas secretamente influem
Na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
E a essa hora tardia
Como procurar amigo?
E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
Que entrasse nesse minuto,
Recebesse esse carinho
Salvasse do aniquilamento
Um minuto e um carinho loucos
Que tenho para oferecer.
Em dois milhões de habitantes
Quantas mulheres prováveis
Interrogam-se no espelho
Medindo o tempo perdido
Até que venha a manhã
Trazer leite, jornal, calma.
Porém a essa hora vazia
Como descobrir mulher?
Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
Conheço vozes de bichos,
Sei os beijos mais violentos,
Viajei, briguei, aprendi
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras
Mas se tento comunicar-me,
O que há é apenas a noite
E uma espantosa solidão
Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
Querendo romper a noite
Não é simplesmente a Bruxa.
É antes a confidência
Exalando-se de um homem.
Carlos Drummond de Andrade
De dois milhões de habitantes
Estou sozinho no quarto
Estou sozinho na América.
Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
Anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
Mas é vida. E sinto a Bruxa
Presa na zona de luz.
De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
Desses calados, distantes,
Que lêem verso de Horácio
Mas secretamente influem
Na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
E a essa hora tardia
Como procurar amigo?
E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
Que entrasse nesse minuto,
Recebesse esse carinho
Salvasse do aniquilamento
Um minuto e um carinho loucos
Que tenho para oferecer.
Em dois milhões de habitantes
Quantas mulheres prováveis
Interrogam-se no espelho
Medindo o tempo perdido
Até que venha a manhã
Trazer leite, jornal, calma.
Porém a essa hora vazia
Como descobrir mulher?
Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
Conheço vozes de bichos,
Sei os beijos mais violentos,
Viajei, briguei, aprendi
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras
Mas se tento comunicar-me,
O que há é apenas a noite
E uma espantosa solidão
Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
Querendo romper a noite
Não é simplesmente a Bruxa.
É antes a confidência
Exalando-se de um homem.
Carlos Drummond de Andrade
Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos não perguntam nada.
O Homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
(Antologia Poética)
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos não perguntam nada.
O Homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
(Antologia Poética)
A bunda que engraçada
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.
Carlos Drummond de Andrade
(Amor Natural -1930)
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.
Carlos Drummond de Andrade
(Amor Natural -1930)
27 de mar. de 2011
Soneto para a infidelidade
De tudo, ao meu amor, posto ao relento.
Antes era zelo, hoje é desencanto
mesmo que Deus dissesse que és santo
Dele não creria mais meu pensamento.
A dor, vivê-la em cada vão momento,
pra meu horror descobri mais eventos
promessas de amor ditas ao vento
sem pensar sequer nos meus sentimentos
E assim mais tarde, quando eu me curar
Terei um novo norte, até posso amar
Ou na solidão, paz de quem a si ama
Eu possa dizer do amor que não tive
Que é mortal, corrompeu minhas entranhas,
Mas é finito: não há mal que perdure.
Antes era zelo, hoje é desencanto
mesmo que Deus dissesse que és santo
Dele não creria mais meu pensamento.
A dor, vivê-la em cada vão momento,
pra meu horror descobri mais eventos
promessas de amor ditas ao vento
sem pensar sequer nos meus sentimentos
E assim mais tarde, quando eu me curar
Terei um novo norte, até posso amar
Ou na solidão, paz de quem a si ama
Eu possa dizer do amor que não tive
Que é mortal, corrompeu minhas entranhas,
Mas é finito: não há mal que perdure.
26 de mar. de 2011
23 de mar. de 2011
RE-TRATO
Eu não tinha esse desejo
Assim agitado, assim frequente, assim despudorado.
Nem nos olhos esse lampejo
Nem no lábio a sede do beijo.
Eu não tinha essas mãos cobiçosas
marotas frenéticas buliçosas,
Eu não tinha esse coração
À mostra.
Eu gostei da mudança,
Tão complexa, tão incerta, tão inesperada.
Em que espelho eu achei minha outra face?
Sob o signo
Sagitário – nasci sob essa constelação
O teu sol está em minha casa
Me habitas
até mesmo quando não estás no zênite.
Arkab e Nunki,
Meu tendão e meu peito,
És tu, meu arqueiro.
Sagitário – centro da minha constelação
Sem esperança
Quando você chegou foi assim: sem aviso!
Eu que não tinha esperança de amor
Experimentei-o de todas as formas e com o meu jeito
― meu o pensamento, minha coração, meu sexo .
Agora também tem sido assim: sem aviso:
E eu que tinha esperança de amor
Experimentei o sofrimento em todas as suas formas e com todo o meu jeito
― meu pensamento, meu coração, meu sexo.
Sou assim:
Só sei viver o total!
Com o que me preenche todos os sentidos
Ainda bem que, sem esperar, tive um amor assim.
Esse é o meu jeito:
Sem esperança,
Espero por um amor completo!!!
O Breve instante que estás
Dezoito horas...
Dezoito minutos?
Dezoito orgasmos!!!
No relógio, outras medidas
Não há como se ter o tempo do outro.
Posso, então, compartilhar
O breve instante que estás...
No virtual da minha cama, no real do computador,
Vivo a alegria do provisório,
Sem certezas,
Sem espera?
Cem ausências...
COMES SEM BEBES
Já te cozinhei meus melhores quitutes:
Coxinha, quibe, pavê.
Me diz agora o que eu faço pra não fritar, a fogo baixo,
Você?
Não sei o que você pensa dessas suas atitudes:
Tolices?
Maldades?
Como queres que eu tenha saudades,
Se eu te dei mesa farta
E agora vivo de migalhas.
Você diz que pra mim nunca é sobra.
Pensa assim que vc me dobra?
Meu apetite é voraz.
Sinto muito!
Assim não dá, meu rapaz!
debreagem
Quantos beijos cotidianos se secam em minha boca.
E a mão íntima se desalfabetizando da leitura do teu corpo.
Nos enunciados da cama de casal, instaura-se o não-eu, o não-aqui e o não-agora.
Aqui : eu.
Lá: tu.
E agora?
DES CON(S) Certo
Hoje não acordei.
Abri os olhos, me levantei, fiz café.
Mas não acordei!
O dia tinha sol,
Tinha movimento nas ruas,
Tinha notícias do mundo.
Mas eu não acordei!
Não acordei da minha dor!
Não acordei pelos rogos!
Não acordei para o inexorável!
HOJE não fiz acordos!
ÂNC (S) IA
O meu amor tem toda importância
Apesar das circunstâncias.
Aquela rosa regalada,
Que tu encontraste no caminho,
eu plantei no meu vazio.
Desnuda,
Faz-me eclipse de mar,
Meu amor tem circunstâncias,
Apesar da importância.
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