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18 de dez. de 2011

Lua-nua

A lua no céu, minguante,
a nua na  cama, crescente,
A rua... é de toda a gente:
dos que voltam da farra,
dos que vão pro trabalho....
a lua é D,
o desejo é G,
a rua é dos ausentes!

A nudez da lua veste a minha pele
Minha cobertura
reflete na lua
Sou quase Nova como a lua
Sou lua Nova
Mingua a vida,
crescem os desejos...
Desnudam-se

Ciclicamente, lua-nua,
eu, nua de lua...

26 de nov. de 2011

Poetizando

Chico me buarque,
As ondas do meu mar são Meireles
Drummond:
Eis toda a minha sintaxe interna.

19 de nov. de 2011

Dor

dolorida dor!
machucada, gemida, ferida!
dorida, carcomida , aflitiva!


como pode a vida?

Viver é um escândalo

Nasci aos tropeços...
E trôpega sigo minha sina.
Desde o primeiro choro  engoli os troços.
E sôfrega sou minha carnificina.

9 de out. de 2011

Limiares

Até onde posso ir?
Pelo desejo até a cama.
Me levas para casa,
Teus pés fazem bem a teu coração
e ao meu também

Os aeropostais ganham as marcas do espaço/tempo
das viagens.
Trilhando por esses caminhos
meu coração - escaninho do tempo -
te guarda, dobradinho, dobradinho

Queria te dar um pôr-de-sol

Um nascer de Lua
Uma brisa no cabelo
Um beijo de fruta
Um canto de sabiá ao amanhecer

Queria te dar o impossível
Um nascer de amor
Um ocaso da dor
um jardim no paraíso

Queria te dar meu presente:
Essas horas de agora
que te amo imensamente


Ventos do Tempo

Numa quinta,estava no quarto.
Não conheço a geografia do teu corpo
Uma quarta parte de um quarto de dia
é o tempo que te tenho?

Na casa do homem do "Tempo e o Vento"
escuto a melodia: "Oh, vento traz o meu amor..."
Se eu cantasse...

Vivo dias de Narciso e Eco
ou de Ana Terra?
"O passado não sabe o seu lugar"
diz o poeta
E eu continuo a escutar o lamento, no eco,
"Oh, vento traz o meu amor..."

3 de out. de 2011

A Morte

Eu vejo que a morte me espia
com os olhos-faróis dos carros.
As  Moiras tramam o meu destino
na circulação interrompida.

A morte se aproxima, lentamente,
perco neurônios,
raream os cabelos
perco a elasticidade da pele.


Enquanto  morro - essa é nossa sina,
eu corro para os teus braços.
Quero ser tua menina,
ganhar Danette, comer chocolate
lambuzar-me de prazer...

Antes que a morte me arroupe
com sua mortuária mortalha,
quero que você me enrole numa toalha
depois de um banho quentinho
porque se  é pra morrer,
que eu me enfarte de carinho.

2 de out. de 2011

Faz-de-conta

Eu te proponho um faz-de-conta
Uma história verossímel.
Não há de faltar peripécias,
um enredo para te enredar,
um quarto como ambiente
no qual tu possas me desfrutar.

Eu te proponho ser personagem principal.
Narrada em primeira pessoa,
a história terá o desfecho que eu quiser
pode ser um conto aberto...
Serei Xerazade
Te darei mil e uma noite para me amar

Eu te proponho  fuga da realidade
sair do prosaico,
salvar-se pelo poético
Vamos  - juntos - para meu reino paralelo
Enquanto lá estivermos haverá encantamento
O tempo se multiplicará, vamos viver as fantasias

Eu te convido para irmos ao País das Maravilhas
Há um portal nos meus braços, amor, que te conduzirá
ao descompromisso.
Coloca a máscara, coloco vendas,
me deixo desvendar por ti,
No meu corpo há fendas para explorar

Não há contas no meu conto
Só quero um amor evanescente
Uma magia circunscrita ao momento
CARPE DIEM!!

Desencontro

O díspare  precisa de par.
O singular, do plural.
Só há desencontro na arte de encontrar.

O teu não ecoa no meu sim.
O teu sim tem um quê de talvez
 Orações subordinadas adverbiais
condicionais e concessivas vão
estabelecendo nossos diálogos.

Assim são dadas as circunstâncias
para o prefixo mudar todo o significado
Nos constituímos de futuros-do-pretárito.

28 de set. de 2011

Estreia

Na unha estreia, esmalte-desejo,
um convite-sedução.
Sou tua flor;
Você, meu mel!

Provocante, faço-me feminina:
Quero,depudoradamente,
te seduzir.
Te quero incivilizado, desvairado, perdendo as estribeiras, galopando .

Lasciva, estreio contigo mulher-cio.
Outros homens sentem o cheiro de fêmea, me olham, me cantam...

Sou tua flor, Mel meu...

21 de set. de 2011

Banho

Lavar a alma
Tirar a  lama
Desfazer-se da mala.

Massagem: viagem
Danette: na Josete
chocolate: para arte

Banhada de creme
De água caliente
assim é feita a
paixão da gente

17 de set. de 2011

O mundo inteiro só me fala de ti

Os livros que leio resenham tua vida
Te vejo, tão lindo, na flor colorida.
Você está ali, acolá e aqui.
Você mora em mim.

Se escuto sabiá, é tua voz a cantar.
Você está em tudo, em cada lugar.
De agora ou ágora,
a minha metáfora.

Se adoeço, minha medicina.
Teu ser comigo combina.
Se tua paixão é tomar café
a minha é o que você quiser.

O mundo inteiro só fala de ti
Você está na flor, está no café,
você está em mim
Sou tua amante mulher

12 de set. de 2011

Amora

É tempo de amora, amor!
da geleia à fruta, tem o  gosto  teu beijo.
Quero tal sabor no meu paladar.
te saboreio, devagar,
Para aplacar meu desejo.
a amora da tua boca,
agora em mim mora.
Quando me beijas, fico amorosa!

11 de set. de 2011

Flor roxa

Uma flor enfeita minha mesa
Uma flor enfeita tua lapela
Roxas flores
Amor roxo
amizade colorida
anúncios de primavera!

10 de set. de 2011

Para Adriana

Saudade,
vernáculo português,
o nosso mais original cognato.
Saudade é consequência de gostar
de quem está ausente.
É presentificação da falta,
A sinalização da lacuna.
É signo de incompletude,
É semiologia do vazio.
Sentir saudades é um esforço
de trazer do Hades, na barca de Caronte,
aquele que já partiu.
Não pude oferecer uma moeda de ouro
para que tu fosses em paz.
Não te quero vagando 100 anos pela beira do cais
mesmo que seja tempo de Bienal.
Quero costurar, aqui, um texto de despedida
Com todas as palavras bonitas que eu quis te dizer:
inteligente, original...
Mas a boca sepulcrou-se.
Só me resta, agora a saudade!

7 de set. de 2011

sappore

Penso em ti
faço bolo de chocolate,
coloco pimenta no Chilli,
e canela no café.

evoca-me especiarias...
a minha caravela vai por mares
nunca antes navegados
para a antropofagia

tempera-me
coloca sal
acenda o fogo
estou pronta para ser devorada
num canibalismo amoroso

5 de set. de 2011

cheiros

O cheiro de canela
o odor de homem
o aroma do café
o ar de paixão
a fragância do chocolate
o olor da arte
São o perfume do amor

Cantiga de amor de uma provinciana

Ai, amigo, adoeço de amor!
Dá-me xaropes,
Não me abandone à sorte,
Ai, amigo, quão grande é a dor!

As pernas sem tônus,
No coração há um sopro.
A dor do meu corpo,
paga, da alma,o ônus.

Já estou delirante
Preciso de médico
você é meu remédio
Sê, pois, meu amante.

Encontros

Vens a meu encontro,
e, por ora, te tenho
- eterna é a linguagem dos amantes -
No ínfimo espaço de um café
o tempo perdura.

Não faz muito você sequer era para mim existência
Agora é o sabor que me alimenta.
Se tu cortas cebolas,
meus olhos choram a saudade do tempo em cesura

Falamos banalidades
relatos das ausências,
encontros pela linguagem
Te narro em uma linda história de ARMANDO!

4 de set. de 2011

chegada

A paixão chegou a galope
chegou passo a passo
chegou gole a gole
e já me engoliu

O amor chegou via e-mail
chegou por scrap
chegou por torpedo
e ja me entorpeceu.

Você chegou com artes,
chegou com convites
chegou brincando.
E já ficou!

28 de ago. de 2011

Tomar café

Da boca sorves um beijo
com um beijo sorves o café
Prazer aos goles
Sinto-me tomada por ti

3 de ago. de 2011

coser/cozer

Cozendo a fogo baixo,
Coses meu coração.
Com mãos de cirurgião,
Cosendo com as linhas invisíveis das palavras,
Cozes um banquete de emoções!

31 de jul. de 2011

FRIO

É inverno, eu sei!
Os termômetros marcam invariavelmente abaixo de 10 graus.
Estamos no hemisfério austral, é julho.
Tudo indica dias frios, dias para hibernar.

Fruto temporão, a primavera, presente nas flores
esquece que ainda falta agosto.
Desejos de setembro iluminam meus olhos
Pássaros cantam pelas bandas do Jardim Botânico!

terapia do amor

Pensos virtuais
De Quíron são seus unguentos
tuas flores e beijos
vão estancando meus sangramentos.

Homeopaticamente,
dose diária de carinho,
minha princesa, minha pérola, minha flor...
Me curas, que adoeço de amor!!!!!!

amor dominical

Nós duas - fiat lux -
é divino, celestial.
agarradinhas, pura energia.
Nós, em nosso paraíso, enquanto Deus descansa.

Trocamos confidências, rimos à toa.
Lemos horóscopos, poesias; miramos fotografias
Nem a promessa de uma segunda nos separará.
mãe e filha - amor natural.

29 de jul. de 2011

Desejante

Eu quero tanto esse homem para mim!
Ele cabe nas medidas dos meus versos longos:
é a métrica para a ausência da rima.

Eu quero tanto esse homem para mim!
Ele tem um pomo-de adão que me salienta.
Um V na camisa onde minhas mãos querem acampar .

Eu quero tanto esse homem pra mim!
Seus dedos de unhas curtas e limpas
Foram feitos para tocar a minha flor!

Eu quero tanto esse homem pra mim!
Por um dia que seja! Fumegante como café bom.
Quero-o passeando pelo meu jardim!

Ressignificação

Te mandei de volta a foto com uma declaração:
É forma sem conteúdo
Significante sem significado
Nem amante, nem amado.

Aos pouco volta pra ti,
A tua parte nesse latifúndio.
Não há perfeita divisão.
Mesmo indo, ainda ficas
Nas memórias, no porão.

Há tantas sobras tuas aqui!
Parece que resistes a ir.
Te digo: deves partir
Já não ocupas meu coração!!!

25 de jul. de 2011

O homem das Receitas

Para fazer tomates verdes fritos,
Para curar aterosclerose,
Para aplicar na bolsa,
Para ir ao cinema,
Para visitar exposições de arte,
Para tomar um bom café,
Para ver as praças e jardins,
Para me fazer feliz.

21 de jul. de 2011

Muda

Te vejo, estranho, em minha sala.
Parece que jamais aqui estiveste.
Se algum achei que te lia,
hoje teu olhar é mudo.

Não te percebo mais,
tua história já não faz parte da minha
Me irrita tua desfaçatez.
Teu dizer tem um quê de arrogância.
Prefiro estar muda.

7 de jul. de 2011

Armadilha

Armando, Armando!
Armando armando
Armando desarmando-me
Armando armadilha
Já não me sinto ilha:
Estou Amando, Amour!

19 de jun. de 2011

Os muitos nomes para a palavra saudade

Saramago,
Scliar,
São alguns "quês" de saudade.
São tantos os nomes para saudade:
dos que foram,
dos que deixei quando parti,
dos que passaram na minha vida,
saudade maternal,
saudade fraternal,
saudade dos estudantes,
saudades dos professores,
São muitos os nomes.
Tenho saudades não do que já vivi.
Para isso, tenho recordações.
Tenho saudades dos livros que não lerei,
das músicas que certamente ouviria
Dos abraços e sorrisos ausentes.
As palavras jamais pronunciadas
Dos lugares que jamais visitaremos juntos.
Do tempo que só nos afasta
Te extraño, não é novidade
Teu nome, sei que tu sabes,
é sinônimo de saudade!

17 de jun. de 2011

Frágil

Li dia desses:
Frágil é o silêncio
uma palavra pode destruí-lo.

Mais frágil é o amor
tanto o silêncio quanto uma palavra
pode criá-lo ou destruí-lo

Fiado

Conversa fiada
Fio a fio
desfio o nó
ao vê-lo
já enovelado
nas tantas novelas

a linha que costura o coração rasgado
estava no blusão de lã.
Vou juntando uns engramas do passado
para tramar meu amanhã!

29 de mai. de 2011

Não faço verso: converso
minha tua nossas palavras:
interpelamo-nos!
Indexada em teu dizer
o meu dito é responsivo
a dor que aqui vês
é o preço de estar comigo!

Não faço verso.
Poeta lambe palavras
Eu as como: são hóstias,
palavra é pão.
A fome que aqui vês
é para mitigar o teu não!

Não faço verso,
nem converso
já nem me estabeleço
não há um "mas"
para um reverso.

Não faço verso!
atravesso
pelas palavras
os meus dias às avessas.

Locuções

De canto em canto
Encantados
De braço a braço
Abraçados
De casa em casa
casados
De fado em fado
Enfadados
De bala em bala
Abalofada
De ida em ida
Traída
De vão em vão
separação

Divórcio

Di: divisão.
vor: vórtice.
cio: o que fazer com o desejo?

MAIO

Maio desmaia,
e eu aqui Nem sequer anoiteci.
..."Khrónos"...
engolida por esse Deus todos os dias,
pego carona no carro do deus-sol.
Resisto ao tempo.
É em vão - eu sei!

As horas se desmancham aos meus pés,
É preciso correr para não cair no abismo.
Sentir dos abutres as bicadas no fígado.
Quanto mais fujo, permaneço.
Queria o consolo do passar do tempo sem sentir.
Eu quero dormir.
Eu quero o desmaio!

4 de mai. de 2011

BRENDA

De que lado?
O lado de lá.
Multifacetado...
para completar
O que foi ocultado?
O ser bipolar!!!

27 de abr. de 2011

PERDAS

Cortei o cabelo,
Perdi quilos.
te perder é me ganhar.

Precisão

É preciso refazer a cama.
É preciso sair do drama.

É preciso fazer ajustamentos.
É preciso conter-se ao pagamento.

É preciso um ritmo codidiano.
É preciso fazer planos.


A minha balança é que está sem precisão!

25 de abr. de 2011

Errante

errar é humano
sair sem destino, sem estrada, está na alma.
Nesses passos sem pegada,
errar também faz caminho.

24 de abr. de 2011

Mamed

Primeira palavra:
Pai!
Qualquer dor, qualquer ai!

Pai
50% da memória
50% de histórias
100% de pertencimento
100% de acolhimento

Tua essência está em mim.
Tua ausência está em mim.
Tua presença está em mim.

Não há morte que possa te separar, tu és para mim inteiro.
Se a biologia não nos liga
O amor que sentimos é mais do que nó de marinheiro.

22 de abr. de 2011

Celestial Maria

De todas as Marias és tu a minha
minha mãe adotiva, minha mainha
Para que Farol de Abrolhos? Já tenho teus olhos.
Para que Caravelas, formoso rincão?
O meu território é o teu coração

Em ti está o céu, nas histórias de infância
Em ti está o céu, no nome Celeste
Em ti está o céu, embalando minhas lembranças
em ti está o céu, pelo amor que tu me deste

20 de abr. de 2011

Guiomar

De que era feito o mar de Guiomar?
Das lágrimas pelo marido,
pelo filho perdido?

Na cacimba,
coloca a vida nos trilhos
Lava roupa, seca as lágrimas
enche os baldes, enche a barriga dos filhos

És para mim mais que uma avó querida
És única: um exemplo de vida
Guiomar para eu amar
Para me guiar, GUIOMAR.

16 de abr. de 2011

Mensagem subliminar

O que eu quero FAlar
em BIlhetes não dá...
Que outro meio?
ANdei pensando em e-mail.

Rosângela

Rosângela

Fazer versos para ti
É falar de segredos – nem sempre ditos-
Adivinhados nas entrelinhas (nas estrelinhas ou no luarzão).
É lembrar literaturas literalmente sem letras
Escritas para uma Regina na luta pelo rei.
Ou seria ele um mercador dos sonhos da juventude?

Fazer versos para rosa ou para o anjo?
Fazer verso para a Pessoa.
A rosa é para Drummond.
O anjo é para Gregório.
Domenica é para mim...
Por todos os dias. Amém!!!!

15 de abr. de 2011

Fenômeno linguístico?

É possível uma nasal, sonora, bilabial transformar-se em
Em Oral, oclusiva, sonora e linguodental?
Pois só assim posso explicar a dor!

10 de abr. de 2011

CARAVELAS

GIORDANO

Meus cachinhos de anjo,
rosto de adolescente,
No olhar: um teimoso;
No agir: indolente.

Um mosaico de sensações:
alegria,ansiedade,amor,chateação...
Com asas de cera voar é teu querer,
Com coração de mãe o meu é te proteger.

Te amo e o amor não pode tudo.
Ele só pode ser em si o que é:
Querer o bem do nosso bem,
estar com ele pro que der e vier.

9 de abr. de 2011

VERSOS ÍNTIMOS

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

(Augusto dos Anjos

4 de abr. de 2011

Abril

O mês se abriu; ipês se abriram.
Me abri...
Apenas uma fresta!
As cores de outono me espiam.
Também expio.
Por uma frincha a vida vai se abrindo.

3 de abr. de 2011

Valentina

Duas bolitas (seus olhos)  negritas
Duas mãos: que buliçosas

Um sorriso à Monalisa
Um corpo de moça em uma criança

Me exaspera, me acaricia.
Faz de mim mãe ou carrasca.
Se brigo, vem me abraça.
Se dengo, faz pirraça.

Não são duas, não há número,
Tampouco há questão:
Valentina – Minha filha –
É minha alegria!
Minha satisfação!

2 de abr. de 2011

Vingança


Foram tantas trapaças,
Que, só de pirraça,
Queria de herança
Fazer a vingança.

Contar os seus fracos,
De ti falar mal
Armar o barraco
Descer-lhe o pau.

Mas nessa história,
De vítima ias ficar
A minha vingança
 é não me vingar

29 de mar. de 2011

MARUJA

Hoje você ocupou meu vazio:
Do estômago sem nhoque.
Da garganta sem voz.
Do pensamento sem razão.
Do coração sem destino.

Tua ausência despertou a memória gustativa
Uma evocação de "zapallitos rellenos" deu sabor à minha vida.
Tua militância foi  a voz da resistência.
A tua razão  estava em números
 místicos  pra acertar a "Quiñela".
O teu destino habita meu coração.

28 de mar. de 2011

de sol a sol
soldado
de sal a sal
salgado
de sova a sova
sovado
de suco a suco
sugado
de sono a sono
sonado
sangrado
de sangue a sangue
Haroldo de Campos in Noigrandes,5)

Catar feijão

1.

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.


Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
(A Educação Pela Pedra)


2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

João Cabral de Melo Neto

Da vez primeira

Da vez primeira que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
o mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah!desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Asas da Noite! Asas do Horror!Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!

Mario Quintana

A Bruxa

Nesta cidade do Rio
De dois milhões de habitantes
Estou sozinho no quarto
Estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
Anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
Mas é vida. E sinto a Bruxa
Presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
Desses calados, distantes,
Que lêem verso de Horácio
Mas secretamente influem
Na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
E a essa hora tardia
Como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
Que entrasse nesse minuto,
Recebesse esse carinho
Salvasse do aniquilamento
Um minuto e um carinho loucos
Que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes
Quantas mulheres prováveis
Interrogam-se no espelho
Medindo o tempo perdido
Até que venha a manhã
Trazer leite, jornal, calma.
Porém a essa hora vazia
Como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
Conheço vozes de bichos,
Sei os beijos mais violentos,
Viajei, briguei, aprendi
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras

Mas se tento comunicar-me,
O que há é apenas a noite
E uma espantosa solidão

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
Querendo romper a noite
Não é simplesmente a Bruxa.
É antes a confidência
Exalando-se de um homem.

Carlos Drummond de Andrade

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos não perguntam nada.

O Homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade
(Antologia Poética)

A bunda que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
redunda.

Carlos Drummond de Andrade
(Amor Natural -1930)

27 de mar. de 2011

Soneto para a infidelidade

De tudo, ao meu amor, posto ao relento.
Antes era zelo, hoje é desencanto
 mesmo que Deus dissesse que és santo
Dele não creria mais meu pensamento.

A dor, vivê-la em cada vão momento,
 pra meu horror descobri mais eventos
promessas de amor ditas ao vento
sem pensar sequer nos meus sentimentos

E assim mais tarde, quando eu me curar
 Terei um novo norte, até posso amar
Ou na solidão,  paz de quem a si ama

Eu possa dizer do amor que não tive
Que é mortal, corrompeu minhas entranhas,
Mas é finito: não há mal que perdure.

26 de mar. de 2011

23 de mar. de 2011

RE-TRATO

Eu não tinha esse desejo
Assim agitado,  assim frequente, assim despudorado.
Nem nos olhos esse lampejo
Nem no lábio a sede do beijo.

Eu não tinha essas mãos cobiçosas
marotas frenéticas  buliçosas,
Eu não tinha esse coração
À mostra.

Eu gostei da mudança,
Tão complexa, tão incerta, tão inesperada.
Em que espelho eu achei minha outra face?

Sob o signo


Sagitário – nasci sob essa constelação
O teu sol está em minha casa
Me habitas
 até mesmo quando não estás no zênite.
Arkab e Nunki,
Meu tendão e meu peito,
És tu, meu arqueiro.
Sagitário  – centro da minha constelação

Sem esperança


Quando você chegou foi assim: sem aviso!
Eu que não tinha esperança de amor
Experimentei-o de todas as formas e com o meu jeito
― meu o pensamento, minha coração, meu sexo .

Agora também tem sido assim: sem aviso:
E eu que tinha esperança de amor
Experimentei o sofrimento em todas as suas formas e com todo o meu jeito
― meu  pensamento, meu coração, meu sexo.

Sou assim:
Só sei viver o total!
Com o que me preenche todos os sentidos
Ainda bem que, sem esperar, tive um amor assim.
Esse é o meu jeito:
Sem esperança,
Espero por um amor completo!!!

O Breve instante que estás


Dezoito horas...
Dezoito minutos?
Dezoito orgasmos!!!

No relógio,  outras medidas
Não há como se ter o tempo do outro.
Posso, então, compartilhar
O breve instante que estás...

No virtual da minha cama, no real do computador,
Vivo a alegria do provisório,
Sem certezas,
Sem espera?
Cem ausências...

COMES SEM BEBES

Já te cozinhei meus melhores quitutes:
Coxinha, quibe, pavê.
Me diz agora o que eu faço pra não fritar, a fogo baixo,
Você?

Não sei  o que você pensa dessas suas atitudes:
Tolices?
Maldades?
Como queres que eu tenha saudades,
Se eu te dei mesa farta
E agora vivo de migalhas.

Você diz que pra mim nunca é sobra.
Pensa assim que vc me dobra?
Meu apetite é voraz.
Sinto muito!
Assim não dá, meu rapaz!

debreagem

Quantos beijos cotidianos se secam em minha boca.
E a mão íntima se desalfabetizando da leitura do teu corpo.
Nos enunciados da cama de casal, instaura-se o não-eu, o não-aqui e o não-agora.
Aqui : eu.
Lá: tu.
E agora?

lá e cá

No mundo virtual,
Tô mal!
Na vida,
Perdida!

DES CON(S) Certo

Hoje não acordei.
Abri os olhos, me levantei, fiz café.
Mas não acordei!
O dia tinha sol,
Tinha movimento nas ruas,
Tinha notícias do mundo.
Mas eu não acordei!
Não acordei da minha dor!
Não acordei pelos rogos!
Não acordei para o inexorável!
HOJE não fiz acordos!

ÂNC (S) IA

O meu amor tem toda importância
Apesar das circunstâncias.
Aquela rosa regalada,
Que tu encontraste no caminho,
eu plantei no meu vazio.
Desnuda,
Faz-me eclipse de mar,
Meu amor  tem circunstâncias,
Apesar da importância.