Páginas

Powered By Blogger

9 de out. de 2011

Limiares

Até onde posso ir?
Pelo desejo até a cama.
Me levas para casa,
Teus pés fazem bem a teu coração
e ao meu também

Os aeropostais ganham as marcas do espaço/tempo
das viagens.
Trilhando por esses caminhos
meu coração - escaninho do tempo -
te guarda, dobradinho, dobradinho

Queria te dar um pôr-de-sol

Um nascer de Lua
Uma brisa no cabelo
Um beijo de fruta
Um canto de sabiá ao amanhecer

Queria te dar o impossível
Um nascer de amor
Um ocaso da dor
um jardim no paraíso

Queria te dar meu presente:
Essas horas de agora
que te amo imensamente


Ventos do Tempo

Numa quinta,estava no quarto.
Não conheço a geografia do teu corpo
Uma quarta parte de um quarto de dia
é o tempo que te tenho?

Na casa do homem do "Tempo e o Vento"
escuto a melodia: "Oh, vento traz o meu amor..."
Se eu cantasse...

Vivo dias de Narciso e Eco
ou de Ana Terra?
"O passado não sabe o seu lugar"
diz o poeta
E eu continuo a escutar o lamento, no eco,
"Oh, vento traz o meu amor..."

3 de out. de 2011

A Morte

Eu vejo que a morte me espia
com os olhos-faróis dos carros.
As  Moiras tramam o meu destino
na circulação interrompida.

A morte se aproxima, lentamente,
perco neurônios,
raream os cabelos
perco a elasticidade da pele.


Enquanto  morro - essa é nossa sina,
eu corro para os teus braços.
Quero ser tua menina,
ganhar Danette, comer chocolate
lambuzar-me de prazer...

Antes que a morte me arroupe
com sua mortuária mortalha,
quero que você me enrole numa toalha
depois de um banho quentinho
porque se  é pra morrer,
que eu me enfarte de carinho.

2 de out. de 2011

Faz-de-conta

Eu te proponho um faz-de-conta
Uma história verossímel.
Não há de faltar peripécias,
um enredo para te enredar,
um quarto como ambiente
no qual tu possas me desfrutar.

Eu te proponho ser personagem principal.
Narrada em primeira pessoa,
a história terá o desfecho que eu quiser
pode ser um conto aberto...
Serei Xerazade
Te darei mil e uma noite para me amar

Eu te proponho  fuga da realidade
sair do prosaico,
salvar-se pelo poético
Vamos  - juntos - para meu reino paralelo
Enquanto lá estivermos haverá encantamento
O tempo se multiplicará, vamos viver as fantasias

Eu te convido para irmos ao País das Maravilhas
Há um portal nos meus braços, amor, que te conduzirá
ao descompromisso.
Coloca a máscara, coloco vendas,
me deixo desvendar por ti,
No meu corpo há fendas para explorar

Não há contas no meu conto
Só quero um amor evanescente
Uma magia circunscrita ao momento
CARPE DIEM!!

Desencontro

O díspare  precisa de par.
O singular, do plural.
Só há desencontro na arte de encontrar.

O teu não ecoa no meu sim.
O teu sim tem um quê de talvez
 Orações subordinadas adverbiais
condicionais e concessivas vão
estabelecendo nossos diálogos.

Assim são dadas as circunstâncias
para o prefixo mudar todo o significado
Nos constituímos de futuros-do-pretárito.