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9 de jun. de 2012

Solidão

A solidão me acompanha
Olho as fotos dos sorrisos congelados no tempo
mas meus olhos não as refletem.
Com quantos livros tentei preencher meu vazio?
Quantas história queria similares às minhas?
A solidão me consome,
invade a tua paz.

A solidão é calo íntimo, antigo
sinal de que meus pés se adaptaram às asperezas da vida.
Vou sozinha.
Nunca deixei de ser só.
tenho companhia solidária
Nenhuma outra alma dialoga comigo.


Sou areia do deserto
enchendo a ampulheta,
espalhando e criando ilusões de oásis.

Não tenho pertencimento.
Não sou de ninguém.

Não há chuva nem lua no meu sertão!!!

Sou desesperança!!



26 de jan. de 2012

dias gasosos

Há dias sem densidade
sou feita de poesia
dispenso parágrafos.
Só bebo água com gás
e me alimento de algodão-doce.

Há dias sem consistência
Em que a fluidez da água
molda minha alma.
Só me visto de Lua
e me enfeito de nuvens.

Há dias evanescentes
em que o tempo evapora
meu pensamento borbulha
nesses dias, sou mensageira do vento.

23 de jan. de 2012

Dor

monossílaba: solitária
oxítona: tônica
perfurante palavra ácida
ferida sem cicatriz

Só há o tempo da dor
era do gelo
dias polares

cancerígena palavra
metástase na alma
morte sem descanso

Fragmentaste minh'alma
como faca amolada
Roubaste minha fé
Não vejo mais estrada
nem rastros dos meus pés

A dor me doma
À dor se somam outras dores
É buraco negro consumindo minha luz
A dor me constitui de nada!