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28 de mar. de 2011

Da vez primeira

Da vez primeira que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
o mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah!desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Asas da Noite! Asas do Horror!Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!

Mario Quintana

Um comentário:

  1. Querido Mario,tão triste você nesse poema.Você,cheio de alegrias,ironias,pedras,preciosas,tão lapidadas....
    Querida JÔ,não deve a dor,apenas,embaixo da pedra ser guardada.Deixe-a estilhasar-se em milhões,e,como areia,solta ao vento,ser levada.
    ABRAÇO,amiga!!!!!!!! Rô

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